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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O raro exemplo do financiamento de Linha de Passe

" O filme Linha de Passe de Walter Salles é um dos raríssimos exemplos de filmes de longa metragem nacional feito sem o auxílio das leis de incentivo à cultura.
O financiamento do filme aconteceu por verbas de investidores internacionais, que acreditaram no retorno comercial do filme.
O financiamento privado de Linha de Passe se deve em grande parte ao prestígio conquistado pelo diretor com os filmes precedentes.
Agora, ao longo deste ano, Walter Salles passará por um ‘puxado’ calendário para vender o filme, incluindo muitas sessões, palestras e debates nos locais onde Linha de Passe vai estrear.
Temos comentado bastante neste quadro sobre as leis de incentivo à cultura e a dependência que o Cinema Nacional da retomada demonstra frente a elas.
Em entrevista concedida ao portal ‘Último Segundo’, Salles demonstrou desconforto com o atual modelo de financiamento. Disse que a idéia de o cinema brasileiro ser em grande parte definido por diretores de marketing das empresas não lhe parece desejável.
Porém, o diretor destacou que atualmente, é impossível construir uma cinematografia sem o suporte do Estado e que esta é uma realidade de todos os países desde a França até a Argentina.
Pra encerrar o quadro, só a título de curiosidade, a produtora Video Filmes, da qual Salles é sócio, tem feito a neutralização do carbono para compensar emissões poluentes feitas em decorrência da produção dos filmes.
Para Linha de Passe foram plantadas 7.500 árvores, que iram compensar a poluição de transportes e outras atividades realizadas durante produção e filmagens da obra.
Encerramos o quadro legislação e políticas culturais.
O texto do quadro vai estar disponível no blog do programa: http://www.trilhasdocinema.com.br/.
Um abraço e até a semana que vem. "
Bruno Leites

domingo, 28 de setembro de 2008

Entrevista advogado de Flávio Aguilardi (empresário envolvido nas fraudes à LIC)



Conforme disse no quadro Legislação e Políticas Culturais do dia 24/9 (post anterior), estou postando entrevista do advogado de Flávio Aguilardi, empresário envolvido nos escândalos envolvendo a LIC. A entrevista foi concedida para o programa "Gaúcha, 19 horas", da Rádio Gaúcha, no dia 19/9.

Bruno Leites.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Legislação e Políticas culturais

" Sobre aprovação de restauro da Catedral pelo Fundo Nacional de Cultura

Há pouco tempo saiu matéria de capa no Diário Popular dando conta de que a Catedral São Francisco de Paula conseguiu verba via Lei Rouanet para a restauração.
A verba conseguida foi através do Fundo Nacional de Cultura, um dos mecanismos previstos na Lei. Aqui, não há a necessidade de sair atrás de captação do mercado. Ou seja, não é preciso que se consiga uma empresa parceira no projeto.
Quando se fala em aprovação via Lei Rouanet há uma grande diferença entre o Fundo Nacional de Cultura e o Mecenato. No mecenato, é depois de aprovado pelo Ministério da Cultura que vem a parte mais difícil: conseguir a captação no mercado. No caso do Fundo, a parte mais difícil vem antes com a aprovação do projeto no Ministério.
Dessa forma, é muito diferente dizer que o projeto foi aprovado na Lei Rouanet se foi via mecenato ou via Fundo.
Há alguns meses saiu uma reportagem também no Diário Popular mencionando que a “Sociedade Pelotense Música pela Música” tinha projeto aprovado na Lei Rouanet para reestrutura da orquestra e construção de sede própria. Acontece que neste caso a aprovação era para o mecenato. Aí a história é outra: conseguir captação, numa região sem a presença de muitas empresas de grande porte como Pelotas, é, sem dúvida, a etapa mais difícil (às vezes quase impossível) da obtenção de verba via mecenato. "
por Bruno Leites

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Legislação e políticas culturais

Programa 10 - 27/9 - A bilheteria no Cinema da Retomada

" Sistema de distribuição do Cinema nacional

O Cinema brasileiro da retomada é marcado pelo financiamento via leis de incentivo. O que é um fenômeno realmente novo no modo de fazer Cinema no Brasil.
Nos anos 70, 80 e 90 a produção no país foi feita principalmente por meio da Embrafilme, uma empresa estatal para fomento do Cinema. Porém, o Governo Collor extinguiu a Embrafilme em março de 1990.
Já houve época, também, em que se fez Cinema no Brasil através de grandes produtoras, nos moldes da produção norte-americana. Uma das maiores foi a "Companhia Cinematrográfica Vera Cruz", na década de 50.
As leis de incentivo têm sido a principal forma de fomento à cultura no Brasil desde o final do século passado. Dentro desse contexto, o Cinema tem apoio especial, através de uma lei específica – a "Lei do Audiovisual",
e ainda assim pode usufruir do mecanismos da Lei Rouanet.
Mas há uma crítica feita a esse modelo de financiamento por causa da distribuição. Não há uma necessidade de retorno financeiro dos filmes: os produtores já são pagos (pelo menos quase totalmente) com a própria produção dos filmes.
Tem outra questão: como os filmes são financiados quase 100% com verba pública, seria de se esperar que chegassem a um grande público: mas, de fato, não é o que vem acontecendo. Vê-se que filmes nacionais com reconhecida qualidade técnica não chegam às salas de Cinema e às locadoras dos lugares afastados das capitais.
A Lei exige uma cota mínima de filmes nacionais nos Cinemas. Porém, esses filmes várias vezes são rodados sem divulgação: também um convite ao fracasso.
Os dados de bilheteria do Cinema da retomada indicam que ainda há um caminho a trilhar no sentido de atrair o público para os filmes nacionais – um desafio de garantir a distribuição e o acesso ao Cinema nacional sem perder a qualidade artística. "

Bruno Leites